Meu e-mail ao Papai Noel
Por Marcio Dolzan
dolzan@papodebodega.com
Coluna publicada originalmente no Jornal Contexto, edição de sábado, 15 de dezembro de 2007.
Querido Papai Noel. Este ano resolvi inovar e, ao invés de lhe enviar uma carta, envio-lhe um e-mail. Tomei esta medida por precaução, pois faltam dez dias para o Natal e fiquei com medo que minha cartinha não chegasse a tempo. Além disso, fiquei sabendo que o senhor adquiriu um blackberry e agora consegue ler os e-mails aí do Pólo Norte a qualquer hora. Mas fique tranqüilo: prometo que não vou usar abreviações, tampouco miguxês.
Começo dizendo que este ano eu fui um bom menino. Fiz o dever de casa (às vésperas dos finais de semestre), comi verduras e coloquei todas as notinhas de supermercado nas urnas das instituições de caridade. Também fiz campanha contra a CPMF e não falei mal de ninguém, à exceção do Hugo Chávez e do Lula. Portanto, minha parte eu fiz. Vê se faz a tua, velhote! Digo, por favor, lembre-se disso, Papai Noel.
Como sei que o senhor anda muito ocupado, e seus duendes têm se negado a ficar depois do expediente, vou pedir que meus presentes não venham no dia 25, mas sim ao longo do próximo ano. Isso, do mesmo jeito que combinamos no Natal de 2005. E se for muito trabalhoso para o senhor, lá por abril pode pedir ajuda ao Coelho da Páscoa. Sim, já mandei um e-mail para ele informando para ficar de sobreaviso.
Como eu sou um capitalista convicto, o senhor deve saber que esse pedido para me mandar os presentes ao longo de 2008 exigirá um pequeno percentual de acréscimo. Evidentemente que não vou me contentar com uma garrafa de sidra Cereser ou com aquele vale-presente da Renner, mesmo que eu tenha meu estilo e ela tenha todos.
Bom, mas deixemos de enrolação e sejamos práticos. Em primeiro lugar, eu gostaria de pedir dois títulos no primeiro semestre. A Copa do Brasil e mais um. E aí tanto faz ser a Copa Dubai ou o Gauchão, pois como o torneio lá do Oriente Médio não é patrocinado por nenhuma empresa automobilística, certamente será menosprezado. Mas, se o senhor me trouxer os dólares da competição dentro da taça, aí pode dar o título gaúcho para o co-irmão lá da Azenha. Desde, é claro, que a final não seja contra o Inter.
Aliás, isso me fez lembrar uma coisa: pelo amor de Deus, pega uma caneta e anota direitinho meus pedidos. E se não entender, peça ajuda. Não vai fazer como no ano passado, quando, em vez de mandar um peru no Natal, o senhor mandou um Gallo em abril e fez a gente perder o Gre-Nal do Beira-Rio. Não sabe a diferença entre um peru e um Gallo? Hein?
Humpf!
Para o segundo semestre, vou deixar que o senhor decida. Pode me trazer ou o Campeonato Brasileiro, ou a Sul-Americana. Eu, particularmente, prefiro o Brasileirão. Inclusive dou uma dica: tira o Muricy do São Paulo que a coisa facilita. Aí vai ser barbada, ainda mais com o Corinthians e o Juventude na segunda divisão.
Em suma, era isso. Não precisa passar lá em casa dia 25. Acho que vai ser melhor para nós dois, porque daí eu não preciso deixar a porta aberta e não corro o risco de ser visitado por um daqueles caras que recebem o indulto de Natal.
Um abraço!
Marcio Dolzan
Ps. Dê bastante líquido para suas renas, pois está fazendo muito calor aqui no Brasil e elas podem acabar desidratadas.