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  Das justiças sociais

Por Marcio Dolzan

dolzan@papodebodega.com

 

Coloquei uma notícia no ar, na segunda-feira, que havia lido na Globo.com. Falava sobre a reforma nos apartamentos funcionais destinados aos deputados federais. Vão gastar cerca de 36 milhões de reais para reformar 96 apartamentos.

 

Apesar do tom um tanto crítico na linguagem da notícia que postei, vou fazer uma ressalva: se o apartamento necessita de reforma, ele deve, sim, ser reformado. Tudo bem, tem político por aí que nem deveria estar em Brasília, mas esse é outro ponto. O que não se pode é querer que um parlamentar more num lugar caindo aos pedaços, da mesma forma que não se pode aceitar que a governadora aqui do Estado receba o salário de governador mais baixo do Brasil.

 

Agora, sobre os apartamentos funcionais, tem duas coisas que não dá para conceber. A primeira delas: por que diabos um deputado federal tem que ter, ao seu dispor, um apartamento com cerca de 230m²? Parou para pensar o tamanho disso? Aqui em Porto Alegre eu moro em um apartamento de um quarto que possui, no total, 45m². E a casa da família, lá na Serra, com três quartos, duas salas, cozinha e outras peças mais, tem algo em torno de 190m².

 

E morávamos em cinco pessoas lá. Um deputado federal, quando muito, mora com a mulher e um filho em Brasília.

 

Mas, tudo bem. Talvez o parlamentar precise de bastante espaço para guardar todos os projetos que leva para casa para analisar.

 

Pffff.

 

Porém, a segunda coisa que não dá pra entender, e que é pior que a primeira: nada menos do que 207 desses apartamentos estão desocupados. Patrimônio público, construído com nossos impostos, lá, vazios. Você faz idéia de quantas pessoas que não tem um teto conseguiriam morar em 207 apartamentos com mais de 200m²?

 

E aí eu questiono: quantos apartamentos, salas e até mesmo prédios do governo estão nessa mesma situação, mofados e vazios, pelo país afora?

 

Enquanto isso, grupos como o dos Sem-Terra invadem patrimônio privado e são defendidos por essa atitude.

 

E chamam isso de “justiça social”.

 

Ah, tão de brincadeira comigo!






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