Idealista, ainda
Por Marcio Dolzan
dolzan@papodebodega.com
Eu penso que o ser humano deva ter perseverança, sempre. Principalmente o ser humano idealista. Porque nenhum idealista mantém suas convicções hoje em dia se não for perseverante.
Penso assim por tudo o que eu tenho que engolir dessa política brasileira. Eu gosto de política, mas aquela que a maioria dos políticos “desse país” faz me enoja.
Diz o Aurélio que política é, dentre outras coisas, “a arte de bem governar os povos”. Ele diz isso porque, na certa, era um idealista. Se fosse realista, colocaria o verbo ‘dever’ no futuro do pretérito antes da definição.
Ocorre que, salvo exceções – as exceções idealistas, evidentemente –, as pessoas que nos governam e nos legislam o fazem unicamente em causa própria. E “causa própria” pode ser interpretada tanto no sentido de “pessoa única” como “seu partido político”.
Dias atrás tivemos o caso dos senadores do PMDB – maior partido do Congresso – que votaram contra um projeto do governo e extinguiram uma Secretaria que tinha quase poderes de Ministério. Motivo? Queriam que o governo concedesse ao partido mais cargos públicos, como a presidência de uma ou outra estatal.
Foram mais ou menos atendidos.
Mas aí, por via das dúvidas, o governo criou a mesma Secretaria utilizando outro nome, por meio de decreto.
Legal essa democracia, né?
Mais ou menos pela mesma época, alguns senadores petistas se abstiveram de votar na sessão que definia o futuro do presidente do Senado, Renan Calheiros. Um dos mais renomados desses senadores alegou que “faltavam provas contra o Renan” [sic]. O detalhe é que, uma semana depois, o mesmo senador concedeu entrevista exigindo que o presidente do Senado se afastasse, porque os indícios eram muito fortes.
Convicção pouca é bobagem.
Eu, particularmente, sempre tive uma posição política firme – sou de direita, anti-petista e possuo filiação partidária. O problema é que sou filiado a um partido dividido. E parte dessa divisão faz parte da base governista do presidente Lula, tendo inclusive ministérios.
Para alguém como eu, que sempre fez campanha contra o Lula, isso incomoda muito.
Mas torço para seguir incomodado com isso por muito tempo. Porque essa será uma prova cabal de que, ao menos na política brasileira, não deixei de ser um idealista.