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  Patriotadas na Educação

Por Marcio Dolzan

dolzan@papodebodega.com

 

Tem uma rádio de Porto Alegre que oferece aos seus ouvintes cadastrados uma atração interessante. Trata-se de um jogo de perguntas e respostas, feito ao vivo, com o ouvinte respondendo aos questionamentos por telefone. O legal disso é que as perguntas são de cultura geral, com questões que tratam desde o signo de alguém que nasce em determinado mês, passando por tabuada e palavras simples de outro idioma, e chegando à história geral ou geografia.

 

Um Show do Milhão minúsculo, pois.

 

Sempre que o quadro esse das perguntas entra no ar, eu paro e fico prestando atenção. Respondo para mim mesmo às que sei, aprendo às que não sei, fico em dúvida nas não respondidas. E me decepciono com tantas outras.

 

Bom, dias atrás o cara da rádio fez a seguinte pergunta a uma ouvinte:

 

- Qual é a maior cidade da América Central, excetuando a Cidade do México?

 

Boquiaberto, franzi o cenho. E me dei um tapa no rosto com a resposta do ouvinte:

 

- Hã... São Paulo, né?

 

Já nesta terça-feira a ouvinte sorteada era uma moça de 18 anos. Que não trabalhava, não estudava, e era feliz assim. Ser feliz é importante, mas não saber o que significa a sigla PNB, quando o assunto é economia de um país, é preocupante.

 

Preocupante por se tratar de uma pequena amostra do descaso que este país tem com a educação. E a culpa é tanto do governo quanto de grande parte da população. Uma garota com 18 anos que liga para uma rádio e fala, em meio a risos, que não trabalha e tampouco estuda, está sendo condescendente com o atraso da nação. Simples assim.

 

Pior ainda é ter uma emissora de rádio deslocar o México da América do Norte para a América Central. E como se não bastasse, o ouvinte deslocar a maior cidade do país em que ele vive da América do Sul para o centro do continente!

 

Seria cômico, não fosse trágico.

 

Não bastasse isso, minha descrença com o futuro do país aumentou ainda mais por eu ter sido vítima de uma bobagem colossal: o fechamento, por cerca de três meses, de bibliotecas da maior universidade pública do Rio Grande do Sul. Por causa de uma greve que não resolveu nada – como, aliás, costuma acontecer com todas as greves.

 

Aí eu pergunto: como é que alguém vai querer acreditar na pujança de um país quando impedem as pessoas de ler?

 

E de que adianta você ter centenas, milhares de livros de alguns dos mais importantes pensadores do mundo, se lhe ceifam a possibilidade de ler suas idéias e projetos?

 

Dá pra levar a sério um país que não lhe dá as mais singelas (e, mesmo assim, importantes!) chances de estudo?

 

Sério, eu queria dar uma resposta patriota. Mas, definitivamente, não dá.






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