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  As pichações e o altruísmo coletivo

Por Marcio Dolzan

dolzan@papodebodega.com

 

Certa vez, disse o jornalista, dramaturgo, fumante inveterado e torcedor do Fluminense Nelson Rodrigues:

 

- O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da imaturidade.

 

Há os que criticam essa afirmação. Jovens, principalmente. Eu sou jovem e não critico. Pelo contrário, apóio. E sei que alguns conhecidos meus me acusarão de ser neoliberal privatista (?) por dizer uma coisa dessas.

 

Como se alguma coisa tivesse a ver com a outra.

 

Ah, mas a acusação deles tem fundamento.

 

De qualquer forma, vou explicar porque concordo com o Nelson Rodrigues no que diz respeito àquela afirmação. O jovem acha que todos os problemas se resolvem com boas idéias. Principalmente os jovens de esquerda. Para uns, salvar o mundo da humanidade passa pelo altruísmo coletivo. Ou pela filantropia capitalista.

 

Lindo, bonito, maravilhoso. Eu sonho com isso. Só sonho, porque sei, e sou convicto, de que é simplesmente impossível as pessoas do mundo todo olharem para a pessoa ao lado com o mesmo amor e preocupação que tem pelo próprio umbigo.

 

Porque “pessimista é um otimista com experiência”, como disse alguém, certa vez.

 

Mas, voltando ao ponto do “resolver os problemas com boas idéias”. A moda agora é reclamar da Vale do Rio Doce. Porque “a Vale é nossa”, dizem os jovens. Principalmente os jovens que sequer sabem onde fica a Vale. A boa idéia é simplória: se a Vale foi construída pelo Estado (com dinheiro dos EUA!, os imperialistas ianques!), e foi privatizada pelo Estado quando deficitária (ou pouco rentável), nada mais justo que, agora que os investimentos privados fizeram-na uma potência, ela retorne ao Estado.

 

Querem reestatizar a Vale.

 

Até aí, tudo bem. Se o Governo comprá-la, até concordo. Só não pode ocupar a empresa e nacionalizar, como fez o companheiro Evo com a Petrobras.

 

E isso que lema da empresa é “o petróleo é nosso”.

 

Agora, sabem como o jovem está avisando que quer a Vale de volta? Pichando. Sujando as paredes de prédios e obras públicas. Se bobear, até das privadas. Nas proximidades dos prédios da UFRGS, lá na Ramiro Barcelos, pode-se encontrar pelo menos duas pichações pedindo a Vale de volta.

 

Porque “a Vale é nossa”.

 

E o restante do patrimônio público? Ah, esse que se exploda!






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