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Luzes da Cidade

Por Marcio Dolzan

dolzan@papodebodega.com

 

Considerado por muitos como a obra-prima de Charles Chaplin, Luzes da Cidade tem a tradicional receita do aclamado cineasta: uma história simples muito bem contada, entremeada com humor e romantismo.

 

Lançado em 1931, Luzes da Cidade foi a mais demorada e difícil obra produzida por Chaplin. Demorou dois anos e oito meses para ser concluída, e foi o primeiro filme mudo produzido depois que o cinema passou a ser falado.

 Divulgação

 

A pressão e a desconfiança sobre o filme foram intensas. Convertido ao cinema falado, Hollywood queria que a obra de Chaplin também tivesse o “modernismo” das falas. Por insistência do cineasta, não teve. E foi um sucesso.

 

Não bastasse a pressão acerca das falas no filme, Chaplin teve outro grande problema nas filmagens dessa película: Virginia Cherrill, a atriz que interpreta a florista cega por quem o Vagabundo se apaixona.

 

De todas as atrizes com quem Chaplin trabalhou, Virginia foi a que menos “química” teve com o mestre do cinema. Mas isso, definitivamente, não é a impressão que se tem quando se assiste ao filme.

 

Tantos problemas de relacionamento teve Chaplin com Virginia que, lá pelas tantas, a atriz foi dispensada das filmagens. Porém, como a produção já se encontrava em estágio avançado, acabou sendo recontratada.

                                                           

No filme, o Vagabundo se apaixona por uma jovem cega, que sustenta a si e à avó vendendo flores. No momento que se conhecem, a florista acaba pensando que o Vagabundo é um homem rico, e ele então faz de tudo para não desapontá-la. Arranja os mais diversos empregos e participa de uma luta com o único intuito de levar comida e dinheiro para pagar as contas da jovem.

 

O maior desafio do Vagabundo, contudo, é conseguir dinheiro para que florista consiga realizar a operação que lhe devolverá a visão. Acaba conseguindo com um milionário amigo seu, mas, por um mal-entendido, é preso, acusado de roubo.

 

Meses depois, ao ser solto, caminhando pela cidade, acaba se deparando com a jovem. A moça já consegue enxergar, mas é quando o toca que reconhece o homem que tanto afeto lhe deu. Nesse momento, uma simples palavra – “você” –, somada a uma fenomenal interpretação de Chaplin, criou uma das cenas mais celebradas da história do cinema. E encerrou com muito lirismo um dos grandes filmes produzidos pela sétima arte.






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