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O som das falas, contudo, existe. Aparece nas primeiras cenas do filme, por intermédio do dono da empresa onde trabalha o Vagabundo. Por ser amante da obra chapliniana e do cinema-mudo, considero esse o único equívoco do filme.
O enredo é bastante simples, mas apresentado de forma magistral. Trabalhando de maneira quase escrava, apertando roscas durante muitas horas, o Vagabundo enlouquece e acaba internado em uma clínica. Dias depois, já curado, acaba confundido como o líder de um grupo de grevistas e vai preso.
Faz amigos na prisão e, ao ganhar a liberdade, pergunta se não poderia continuar por lá. A época era de recessão, pessoas passavam fome na cidade e, na cadeia, o Vagabundo teria casa e comida. Acaba libertado e com uma carta de recomendação.
De volta às ruas, mas disposto a retornar à prisão, o Vagabundo acaba assumindo o roubo de um pão, cometido por uma órfã. Não consegue, e os dois acabam fugindo juntos.
O amor e a admiração surgem entre os dois. Mas, diferentemente de outros filmes de Chaplin, o amor do Vagabundo pela garota é diferente; é quase paternal. De qualquer forma, isso não impede que ambos sonhem com uma casinha própria e com uma pacata vida de casados.
Enquanto o sonho não se realiza, porém, os dois passam por diversas aventuras, empregos e apuros. Apuros esses que, invariavelmente, são provocados pelas agruras dos tempos modernos. |