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  Para colocar o dedo na moleira
Por Marcio Dolzan
dolzan@papodebodega.com

 

Tem uma cadeira na faculdade de Jornalismo que estou achando bastante interessante. Chama-se Fundamentos de Jornalismo Gráfico. É interessante porque o professor, o Rubens Weyne, fala bastante sobre a rotina da Redação de uma empresa jornalística. E como a UFRGS privilegia a teoria em detrimento à prática – o que deixa muitos de meus colegas impacientes – essa cadeira acaba aproximando os ávidos alunos da profissão que almejam seguir um dia.

 

Pois bem. Ex-funcionário da Caldas Júnior, o professor Rubens, freqüentemente, conta histórias de seu tempo de Correio do Povo, comandado à época pelo Breno Caldas, “talvez o homem mais poderoso do Estado”. E são histórias curiosas, como são curiosas as histórias de homens poderosos.

 

Na aula desta semana, lá pelas tantas, o professor nos contou sobre um editorial publicado no Correio do Povo no início dos anos 1980 – ou final dos 70, não recordo ao certo. Assinado pelo ‘Dr.’ Breno, mas escrito por outra pessoa, o editorial atacava o então governador do Estado, Amaral de Souza, com fina ironia.

 

Para se entender a profundidade da ironia, deve-se saber um pouco sobre o Amaral de Souza. Filiado à ARENA, partido de apoio ao Governo Militar, o político era um cidadão de pouca estatura. Algo parecido com o Romário.

 

Ocorre que, numa daquelas interferências do governo na Economia, houve uma grande desvalorização de nossa moeda em relação ao dólar. E o papel utilizado para impressão do jornal era importado. À época da desvalorização da moeda, praticamente todos os grandes empresários foram avisados que o governo interferiria no câmbio. Menos o Breno Caldas.

 

Motivo? Não sei, alguma picuinha política, talvez.

 

Com a desvalorização, a crise financeira, que já era grande no Correio do Povo, acentuou-se. Indignado com a rasteira aplicada pelo governador, Breno Caldas ponderou, em editorial, sobre o que faltava para o Amaral de Souza ser um grande líder:

 

“...ao governador falta um palmo-e-meio para ser...”

 

Ouvi essa história do professor Rubens, em uma segunda-feira pela manhã. Aí lembrei do processo que corre no Supremo Tribunal Federal, que envolve 40 congressistas no caso do Mensalão; lembrei da votação da prorrogação da CPMF; lembrei dos dólares na cueca, da crítica à bolsa-doutorado, das vaias na abertura do Pan. Enfim, lembrei do atual estágio da política nacional.

 

E cheguei à conclusão de que, para o Brasil ter um grande líder, talvez falte menos que um palmo-e-meio. Talvez um dedo a mais seja suficiente.






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